Nariz “entupido”

Desvio de septo e hipertrofia de cornetos podem coexistir e contribuir para a obstrução nasal.

Uma queixa bastante comum no consultório é a sensação de nunca conseguir respirar bem pelo nariz. Muitas pessoas não sabem dizer quando o problema começou. Apenas percebem que, com o tempo, passaram a conviver com ele.

Dormir de boca aberta, acordar com a garganta seca, sentir o sono pouco reparador ou notar mais cansaço ao longo do dia acabam se tornando parte da rotina. Como essa adaptação acontece aos poucos, nem sempre o impacto da obstrução nasal fica evidente.

Nessas situações, é comum que não exista uma única causa. Entre as alterações mais encontradas estão o desvio de septo e a hipertrofia de cornetos. Elas podem estar presentes ao mesmo tempo e, juntas, limitar a passagem do ar.

O que é o desvio de septo?

O septo nasal é a estrutura que separa as duas cavidades do nariz. Na parte anterior é formado por cartilagem e osso.

A maioria dos septos não são retos, porém nem todo mundo tem sintomas.

O que realmente importa é avaliar se esse desvio reduz a passagem de ar a ponto de causar dificuldade para respirar ou comprometer o sono, o conforto respiratório e a qualidade de vida.

Por esse motivo, a presença de um desvio, por si só, não significa que exista indicação cirúrgica. A decisão depende da avaliação clínica e da repercussão funcional em cada caso.

O que são os cornetos?

Os cornetos, também chamados de conchas nasais ou “carne esponjosae dentro, ficam nas paredes laterais do nariz e desempenham um papel importante na preparação do ar que respiramos. São eles que ajudam a aquecer, umidificar e filtrar o ar antes de sua chegada aos pulmões.

O problema surge quando essa mucosa permanece inflamada por tempo prolongado. Essa condição recebe o nome de hipertrofia de cornetos.

Ela costuma estar relacionada à rinite, processos inflamatórios crônicos da mucosa nasal e, em alguns pacientes, ao uso inadequado e prolongado de descongestionantes (como nafazolina, oximetazolina). Com o aumento do volume dos cornetos, o espaço interno do nariz diminui e a sensação de nariz entupido tende a se tornar constante.

Nem todo “nariz entupido” precisa de cirurgia

Esse é um ponto que costuma gerar dúvidas.

A presença de desvio de septo ou hipertrofia de cornetos não significa, automaticamente, que o tratamento será cirúrgico.

Quando existe rinite ou um componente inflamatório importante, a primeira opção é o tratamento clínico, o qual, frequentemente, proporciona melhora dos sintomas. A melhora no controle ambiental, medicações tópicas e acompanhamento adequado fazem parte dessa abordagem.

A cirurgia passa a ser considerada quando há alterações estruturais que comprometem de forma significativa a passagem de ar, quando o tratamento clínico não trouxe a resposta esperada ou quando os sintomas afetam de maneira importante a rotina do paciente.

Mesmo nessas situações, a decisão deve ser individualizada. Ela leva em conta os achados do exame, a história clínica, a anatomia nasal, as expectativas do paciente e seu contexto de vida.

Respirar bem é qualidade de vida

Quem convive há muitos anos com o nariz entupido costuma se acostumar com a dificuldade para respirar e, muitas vezes, deixa de perceber o quanto isso interfere no cotidiano.

Dormir melhor, acordar sem boca seca, respirar com mais conforto e realizar atividades físicas com menos limitações são mudanças que podem acontecer quando a causa da obstrução é identificada e tratada de forma adequada.

Se o nariz permanece entupido por longos períodos, vale a pena investigar. Em muitos pacientes, o problema resulta da associação entre diferentes alterações, e reconhecer essa combinação é um passo importante para definir o tratamento mais apropriado.

Dra. Lorena Lima Almagro
Médica | Otorrinolaringologista
CRM-SP 207218 | RQE 124325

Conteúdo educativo e informativo, elaborado nos termos da Resolução CFM nº 2.336/2023. Não substitui consulta, diagnóstico ou avaliação médica individualizada.

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Otorrinolaringologista
CRM: 207218 RQE: 124125

Dra.
Lorena Almagro

Sou otorrinolaringologista pelo Hospital das clínicas da USP - SP com especialização complementar em cirurgia plástica facial também pela USP, com atuação voltada à cirurgia nasal estética e funcional.

Meu trabalho tem como base um atendimento empático e individualizado, com foco na melhora da qualidade de vida, da respiração e da autoestima de cada paciente.

Atuo na integração entre função e estética, buscando resultados naturais e proporcionais ao rosto, sempre com indicação precisa e planejamento cuidadoso.

Acompanho cada paciente de forma próxima em todas as etapas, do pré ao pós-operatório, com orientação clara, segurança e responsabilidade em cada decisão.

Médica pela Faculdade de Medicina de Jundiaí

Residência em Otorrinolaringologia pelo Hospital das Clínicas da USP (HCFMUSP - SP)

Preceptoria de Otorrinolaringologia no Hospital das Clínicas da USP (HCFMUSP - SP)

Fellowship em Cirurgia Plástica Facial pelo Hospital das Clínicas da USP (HCFMUSP - SP)