Tubinho de ventilação no ouvido: por que ele é indicado e o que esperar

Existe uma cena comum no consultório: uma criança que já tomou vários antibióticos por causa de otites, parece não escutar bem, pede a televisão mais alta e responde “quê?” várias vezes ao dia.

Em algum momento, surge a possibilidade de colocar o “tubinho no ouvido”. E, junto com essa indicação, vêm muitas dúvidas. É grave? Dói? Precisa tirar depois? A criança pode tomar banho normalmente?

Entender o que é esse dispositivo, por que ele pode ser necessário e o que costuma acontecer depois ajuda a deixar a decisão mais clara.

O que é o tubinho de ventilação

O tubinho, também chamado de tubo de ventilação, é uma pequena peça colocada na membrana timpânica, o tímpano. Ele tem aproximadamente o tamanho de um grão de arroz.

Sua função é permitir que o ouvido médio fique ventilado e que a secreção acumulada atrás do tímpano consiga drenar.

Atrás do tímpano existe um espaço chamado ouvido médio. Para que ele funcione bem, precisa estar arejado. Esse ar chega por um canal chamado tuba auditiva, que liga o ouvido à parte de trás do nariz.

Nas crianças, essa tuba é mais curta e mais horizontal. Por isso, tende a funcionar com menos eficiência. Quando ela não ventila bem o ouvido, o ar não circula adequadamente e pode haver acúmulo de líquido.

Por que o líquido atrás do tímpano preocupa

Quando essa secreção permanece por semanas ou meses, chamamos o quadro de otite média com efusão ou otite média serosa.

Normalmente encontramos em pacientes com otite de repetição, atraso de fala ou perda auditiva.

Esse secreção funciona como uma espécie de abafador. O som chega com menos clareza, e a perda auditiva pode variar ao longo do tempo. Em crianças pequenas, que estão em fase de desenvolvimento da fala, uma audição reduzida por período prolongado pode interferir na linguagem, na atenção e até no comportamento.

Quando o tubinho é indicado

O tubinho não costuma ser a primeira conduta.

Ele entra na conversa quando o líquido atrás do tímpano persiste por tempo prolongado e afeta a audição, quando as otites se repetem com frequência apesar do tratamento adequado ou quando há sinais de repercussão na fala, no sono, na escola ou na rotina da criança.

Em algumas situações, a melhor escolha inicial é acompanhar. Parte dos quadros melhora com o tempo, especialmente conforme a tuba auditiva amadurece.

Por isso, a indicação precisa ser individualizada. Ela depende do exame do ouvido, da história clínica, dos testes auditivos quando necessários e do contexto de cada criança.

Em determinados casos, a colocação do tubinho pode ser associada à retirada da adenoide, principalmente quando ela também contribui para a obstrução ou para a disfunção da tuba auditiva.

Como é o procedimento

A colocação do tubinho é feita em ambiente cirúrgico. Em crianças, geralmente ocorre sob anestesia geral.

O otorrinolaringologista faz um pequeno furo na membrana tímpanica, aspira a secreção acumulada e posiciona o tubo. Ele fica encaixado ali, funcionando como uma pequena passagem de ventilação.

Não há cortes externos nem pontos visíveis.

Como qualquer procedimento, existem benefícios, riscos e limitações, que devem ser discutidos antes da cirurgia. A recuperação costuma ser tranquila, e muitas crianças retornam à rotina em pouco tempo, conforme a orientação médica.

Uma mudança que os pais podem perceber cedo é a melhora da audição. Com o líquido drenado, o som volta a chegar de forma mais clara. Algumas crianças até estranham esse retorno da percepção sonora.

O tubinho sai sozinho?

Na maioria dos casos, não é preciso fazer outra cirurgia para retirar o tubinho. Os modelos mais usados permanecem por 6-8 meses e, com a renovação natural do tímpano, acabam se soltando espontaneamente.

Muitas vezes, ele é eliminado sem que a família perceba.

Existem diferentes tipos de tubo e diferentes situações clínicas. Por isso, o acompanhamento com o otorrinolaringologista é importante para avaliar a posição do tubinho, a audição e a evolução do ouvido.

Sobre banho, piscina e natação, não existe uma única regra para todas as crianças. A orientação varia conforme o caso, o tipo de tubo, o momento do pós-operatório e a avaliação médica.

O recado para os pais

O nome “tubinho no ouvido” costuma assustar. A ideia de realizar um procedimento no ouvido de uma criança naturalmente gera preocupação.

Mas essa é uma conduta bem conhecida na otorrinolaringologia e, quando bem indicada, tem um objetivo claro: proteger a audição em uma fase importante do desenvolvimento.

Se a criança tem otites de repetição, parece não escutar bem ou apresenta atraso na fala, vale investigar com calma. Nem toda criança vai precisar de cirurgia. Algumas precisam apenas de acompanhamento. Outras se beneficiam do procedimento no momento certo.

Cada ouvido tem sua história. É essa história, junto com o exame e a avaliação auditiva quando indicada, que orienta a melhor conduta.

Dra. Lorena Lima Almagro
Médica | Otorrinolaringologista
CRM-SP 207218 | RQE 124325

Conteúdo educativo e informativo, elaborado nos termos da Resolução CFM nº 2.336/2023. Não substitui consulta, diagnóstico ou avaliação médica individualizada.

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Otorrinolaringologista
CRM: 207218 RQE: 124125

Dra.
Lorena Almagro

Sou otorrinolaringologista pelo Hospital das clínicas da USP - SP com especialização complementar em cirurgia plástica facial também pela USP, com atuação voltada à cirurgia nasal estética e funcional.

Meu trabalho tem como base um atendimento empático e individualizado, com foco na melhora da qualidade de vida, da respiração e da autoestima de cada paciente.

Atuo na integração entre função e estética, buscando resultados naturais e proporcionais ao rosto, sempre com indicação precisa e planejamento cuidadoso.

Acompanho cada paciente de forma próxima em todas as etapas, do pré ao pós-operatório, com orientação clara, segurança e responsabilidade em cada decisão.

Médica pela Faculdade de Medicina de Jundiaí

Residência em Otorrinolaringologia pelo Hospital das Clínicas da USP (HCFMUSP - SP)

Preceptoria de Otorrinolaringologia no Hospital das Clínicas da USP (HCFMUSP - SP)

Fellowship em Cirurgia Plástica Facial pelo Hospital das Clínicas da USP (HCFMUSP - SP)